O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil está bem posicionado para enfrentar os efeitos da guerra comercial deflagrada pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump. Em entrevista ao Financial Times, Haddad destacou a vantagem estratégica do país por manter relações comerciais sólidas com os três principais blocos econômicos globais.
Destaques da entrevista
1. Brasil como ponte entre grandes economias
Haddad ressaltou que o Brasil não precisa escolher entre China e EUA, mantendo um “excelente relacionamento bilateral” com os asiáticos e uma “parceria histórica” com os norte-americanos. Ele minimizou os riscos de retaliações diretas, apesar de o país ter sido citado pela Casa Branca em críticas a barreiras comerciais.
2. EUA e o superávit na balança comercial
O ministro lembrou que os Estados Unidos têm um superávit de US$ 7,4 bilhões nas trocas com o Brasil e que já há isenções para alguns produtos americanos, o que poderia reduzir a pressão por medidas mais duras.
3. Avanço nas negociações Mercosul-UE
Haddad viaja à França para discutir o acordo entre Mercosul e União Europeia, fechado em dezembro após 20 anos de negociações. Ele citou os esforços do ex-presidente Lula e afirmou:
“A Europa percebe que não tem outro caminho. Não se trata de se afastar da China ou dos EUA, mas de fortalecer novas parcerias.”
Contexto
Enquanto a tensão comercial entre EUA e China se intensifica, o Brasil busca equilibrar suas relações sem se alinhar exclusivamente a nenhum dos lados. A estratégia do governo é aproveitar a demanda global por commodities e ampliar acordos, como o com a UE, para diversificar mercados.
Fonte: Financial Times | Declarações de Fernando Haddad